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BALADA DO ESPLANADA
Ontem à noite Eu procurei Ver se aprendia Como é que se fazia Uma balada Antes de ir Pro meu hotel.
É que este Coração Já se cansou De viver só E quer então Morar contigo No Esplanada.
Eu qu'ria Poder Encher Este papel De versos lindos É tão distinto Ser menestrel
No futuro As gerações Que passariam Diriam É o hotel Do menestrel
Pra m'inspirar Abro a janela Como um jornal Vou fazer A balada Do Esplanada E ficar sendo O menestrel De meu hotel
Mas não há poesia Num hotel Mesmo sendo 'Splanada Ou Grand-Hotel
Há poesia Na dor Na flor No beija-flor No elevador
Oswald de Andrade (1890-1954)
Tomado de Poesia.net
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